Entre o sonho e a vigília

Lua Cheia_27 abril 2021

Entre o sonho e a vigília jaz um vasto território por explorar. Esta Lua traz ao de cima tais mistérios, levando-nos a viajar pelos limiares internos, para podermos rever antigas escolhas e redirecionar o movimento no sentido adequado à nossa evolução espiritual.

Trata-se aqui do culminar de um processo de desapego e de reequilíbrio iniciado na anterior lunação, em que fomos confrontados com a desagregação de estruturas que queríamos acreditar estáveis. Na verdade, esta tensão entre velhas e novas formas vai marcar todo este ano, num momento em que a consciência planetária se debate entre modelos políticos baseados na hierarquia e na força e um modo de estar em que o indivíduo e as comunidades locais emergem como líderes.

Por política entendo tanto o domínio privado, como o público, segundo a teorização feminista que considera o espaço doméstico e as suas dinâmicas como reflexo do mundo, um pouco à semelhança dos ensinamentos místicos que fazem corresponder o interior ao exterior. De facto, cada vez mais se torna evidente o imperativo de ancorar a nossa vida, de cada um e de todos, numa consciência depurada e livre de manipulação demagógica — ao serviço da concentração de capital, como evidencia a presente crise, é bom recordar, em que as pequenas e médias empresas familiares se veem privadas de liberdade de ação, contribuindo assim para aumentar a margem de lucro das grandes corporações.

Importante, pois, honrar os elos com a natureza — abraçar árvores e bichos está na ordem do dia! — e apurar as tecnologias sagradas que nos permitem recalibrar o corpo físico-energético, enquanto templo do espírito que em nós habita nesta vida. Depois, é seguir em frente, dançando entre o sonho e a vigília, além de qualquer ilusão de controlo.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa.