à maneira de Sta. Teresa d’Ávila

pois se amor e palavra alinham distância,

a rapidez do corpo deixa-me

noutras paragens.

sou teu corpo

dito

génese.

sou teu corpo

dócil

filigrana.

sou teu corpo

tábua

engenho.

sou teu corpo

alado

queda.

sou teu corpo

carne

súplice.

sou teu corpo

agulha

alvo.

teu corpo

matéria

móbil.

sou teu corpo

trave

trapézio.

sou teu corpo

vivo

sagrando luz.

sou teu corpo

água

resgatado.

sou teu corpo

sopro

agora.

sou teu corpo

aberto

baú.

sou teu corpo

pele

poros pelos.

sou teu corpo

bicho

aaaaaaaaaaaaaaaaa…

sou teu corpo

ar

rodando dúctil.

teu corpo

bandeira

liberdade.

teu corpo

tangente

pecado.

sou teu corpo

eu

ensaio desejo.

sou teu corpo

dado

tantra-

deflagração.

teu corpo vencido

em doce guerra

meu corpo rendido

incêndio

a teus pés.

Fotografia de Martin Jelfs

leste o primeiro poema do Cosmos e casas, que podes encomendar à Editora Urutau

Partilha:
Scroll to Top