Parar antes de começar

Lua Nova_17 setembro 2020

No Kundalini Yoga (que pratico e ensino) usamos alguns aforismos que nos ajudam a guiar a ação quotidiana. Parar antes de começar (“stop before you start”) é uma dessas frases, recordando a importância de respirar fundo antes de (re)agir, para voltarmos ao nosso espaço interno sagrado em vez de deitarmos mais achas na fogueira. Num momento em que se acentuam polaridades no contexto COVID e em que a energia do cosmos continua acelerada (diz que em modo ascendente pelo menos até 2022!), é fundamental termos a inteligência de observar em vez de julgar; sentir em vez de (hiper)analisar; planear a longo termo em vez de nos lançarmos num movimento desconcertado, sem clarificar objetivos e prioridades.

Esta Lua pede enraizamento e contacto com o nosso corpo físico, que devemos honrar como templo da alma, através de exercício regular, da nutrição equilibrada, da hidratação (beber muita água de qualidade!), do repouso regular. Podemos harmonizar a nossa energia física de modos bem simples no dia-a-dia, bastando praticar pausas para alinhar o impulso e reger a emotividade. A respiração é uma das estratégias para clarificar este diálogo interno — para voltarmos ao eixo, bastam por vezes uma ou duas inspirações profundas (de preferência de olhos fechados, arriscando embora a perplexidade dos nossos interlocutores). Eu também gosto de caminhar descalça, dentro e fora de portas, e de abraçar árvores, esses seres tão pacientes que nos servem sem protesto.

Cuidado com as armadilhas da culpabilização e do perfecionismo. Vamos assumir crescente responsabilidade pelas nossas escolhas a cada instante, compreendendo que tecemos a nossa história pelo modo como reagimos aos constantes desafios que nos moldam, mais do que pelas circunstâncias em si. Vamos assumir que a vida é um processo de constante construção, não uma corrida para uma meta pré-definida segundo modelos externos. Criemos harmonia no caos, sabendo que as nossas mínimas ações emitem uma vibração que se propaga até ao infinito.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa