Upgrade

Lua Nova, 4 dezembro 2021

De vez em quando, precisamos de reinstalar aplicações e sistemas operativos para atualizar os nossos bem-amados gadgets, que se vêm assumindo como uma extensão do nosso território pessoal no diálogo  com o mundo. Clicamos duas vezes, inserimos a palavra passe e autorizamos que das nuvens desça um novo pacote de informação, que nos permitirá navegar mais depressa pelo universo virtual, ou realizar uma série de complexas operações digitais que nos conectam numa rede sem precedentes.

Estamos cada vez mais juntos (apesar da distância imposta nos últimos quase dois anos gerindo um vírus resistente), o que nos torna mais permeáveis à(s) mudança(s). Para mais, vivemos num contexto histórico interessante, em que a consciência coletiva da humanidade se vê confrontada com a possibilidade de ascender de um modo quase milagroso. Neste momento o planeta é banhado por ondas energéticas de elevada frequência vibratória que impactam o nosso corpo de forma por vezes brutal (causando dores de cabeça, insónias…). De facto, esta expansão dos nossos campos eletromagnéticos realiza-se a níveis mais subtis e também na dimensão do corpo físico, chamado a adaptar-se para poder conter mais luz.

Nesta Lua Nova, cuja energia é exponenciada por um eclipse solar total, somos convidados a formular uma intenção elevada tanto para as nossas pequenas vidas que, ligadas a outras tantas vidas, se expandem e tornam mais valiosas, como também para a Nova Terra, regida por um paradigma amoroso radicalmente distinto daquele que temos vindo a materializar enquanto Homo Sapiens. Tal implica abandonar, escrever por cima de, antigos padrões de comportamento ancorados no medo e na manipulação — é interessante verificar como tal se exprime também já a nível político (ainda que em micro escala).

Vibramos como um todo cada vez que uma das partes se altera e sabemos que a vibração elevada do Amor dissolve as mais baixas frequências do temor. É fundamental estarmos dispostos a apagar velhos programas para focar atenção na realidade que queremos ver manifesta e não nos obstáculos (nem na queixa) que nos levam a assumir o lugar de vítima. Estamos prontos para o upgrade?

Image Diana V. Almeida

Sintonizar a frequência

Lua Cheia, 19 novembro 2021

Uma vez, quando era pequena, recebi de presente um rádio portátil: era incrível levar a música para todo o lado; só tinha de garantir a recarga de pilhas (pagas com a semanada) e a paciência de sintonizar. Às vezes esta operação demorava imenso tempo e eu tinha de andar às voltas com o rádio, até descobrir o local mais favorável para acertar numa estação, que podia nem sequer ser aquela que me apetecia ouvir na altura. Quando alcançava esse território do som articulado, era preciso rodar o botão com uma precisão milimétrica para apurar o som, perceber se queria ficar ali e, por fim, encontrar a frequência que me permitisse escutar a música com clareza.

Embora hoje em dia a digitalização tenha tornado o acesso à informação muito mais simples, continuamos a precisar de cultivar o empenho da busca e a perseverança confiante de que, entre o ruído distorcido, haverá um texto coerente a decifrar. Só com esta atitude seremos capazes de vivenciar a intensidade desafiante em que nos encontramos, alinhando-nos com uma frequência elevada.

É fácil perdermo-nos entre estações, ou mesmo ficarmos presos numa estação que não nos interessa por aí além. Se cedermos ao cansaço cínico, não teremos forças para prosseguir a demanda de sentido, pois a dúvida mina o caminho e impede a progressão. Mais do que nunca, será, pois, importante confiar, ancorados na clareza da intuição — aquela voz que vem primeiro e depois começa a ser contrariada pela esperteza saloia da mente, sempre pronta a contra-argumentar. Importante também será alinhar a nossa frequência energética com o sucesso da nossa intenção, que de obstáculos está o mundo cheio.

Agora, cada vez mais, queremos fazer da nossa vida uma canção afinada, para inspirar quem nos rodeia a sintonizar um canal luminoso. E assim nos elevamos juntos, na certeza de que esta onda energética é bem mais do que a soma das suas partes.

Image Diana V. Almeida. Street Art.

O espaço entre

Lua Nova, 4 novembro 2021

Comecemos por reconhecer evidências — a instabilidade marca o momento atual, caracterizado por mudanças pessoais e coletivas a um ritmo cada vez mais acelerado e intenso, sendo as antigas estruturas substituídas por novos modelos à velocidade da Luz. Esta condição sísmica tem repercussões na matéria e também na psique individual e social, que se informam mutuamente. Buscamos juntos novos modos de fazer sentido, oscilando entre resistência e entrega.

O desafio maior da temporalidade será habitar na interseção vertical do presente, reconhecendo tanto passado e futuro como fumo. Para não nos perdermos nas histórias da mente trapaceira, temos, pois, de estar vivos aqui, agora. Uma das estratégias de enfoque meditativo apontada pelos mestres de várias tradições yóguicas é atentar no espaço entre as respirações.

A verdade reside nessa breve pausa após a inspiração, quando cheios de vida acolhemos o mundo, e logo no instante de suspensão após a expiração, quando contemplamos o vazio, mínima morte. Este espaço-tempo intersticial é em si mesmo um ensinamento sobre o ciclo de expansão e recolhimento em que pulsa o cosmos. Para mais, contém em si a semente de todas as possibilidades. Só contemplando o silêncio podemos agir em consciência. Aguça a espada da atenção e foca-te no espaço entre todas as coisas.

Image Diana V. Almeida

A palavra poder

Lua Cheia_20 outubro 2021

Em 2014, quando criei os projetos do Escrever e Afinar o Coração, ao compreender não desejar prosseguir a carreira académica, escrevi uma reflexão sobre criatividade chamada “A palavra poder” [clica AQUI para aceder ao texto], argumentando que todos temos acesso às fontes criativas. Hoje retomo esse título para refletir sobre o empoderamento a que estamos agora a ser convidados, nestes dias de cada vez mais feroz intensidade, em que se torna clara a importância do alinhamento interno.

Há muitos equívocos sobre o conceito de poder, normalmente associado a condicionalismos externos que nos impedem de prosseguir os nossos desígnios, tornando-nos vítimas das circunstâncias cruéis. Contudo, as atuais conjunções planetárias vêm recordar que a raiz do poder reside, antes de mais, no espaço interior sagrado em que nos ligamos ao propósito maior da nossa alma nesta encarnação. Mais, atravessamos tempos em que a própria velocidade dos eventos propicia uma constante revisão, permitindo-nos abandonar modelos percetivos desatualizados para o nosso atual nível de desenvolvimento e refazer padrões comportamentais, ficando deste modo mais alinhados com as reais potencialidades do nosso Ser.

Tenhamos, pois, a coragem de deixar fluir as emoções mais densas, sem julgamento, assumindo o papel de observador compassivo de nós mesmos, e elevar assim a nossa frequência, em harmonia com os atuais padrões vibracionais da nave Terra. Neste upgrade em que a humanidade se encontra, é, de facto, cada vez mais simples aceder à intuição, faculdade que nos conecta com entidades várias que nos sustentam — chamemos-lhes Guias e Mestres, Anjos da Guarda ou o que queiram (embora, na verdade, estejamos a falar de realidades distintas, mas isso é outra conversa).

Chegou, pois, o momento de honrar a palavra poder, alinhando o nosso foco energético (quanto tempo perdemos em acusações, lamentações, maledicência, distrações de índole diversa?) com aquilo que efetivamente queremos manifestar. Nesta Lua Cheia, honra o teu poder, move a energia estagnada que te impede de avançar (dança, chora, corre, chama um orgasmo…) e reclama o teu lugar no mundo, rendido à vontade divina.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa

Escolher a magia

Lua Nova_6 out. 2021

A magia parte da crença na possibilidade operativa dos ritos e da linguagem, decretada nas escrituras de muitas das religiões conhecidas, em que o Verbo Divino criou o mundo (aliás, também o Big Bang é uma explosão sonora, como o nome indica). Quando moramos na frequência mágica, sabemos reverberar com o universo, que connosco comunica através de uma série de sinais, dotando de consciência a coincidência. Assim, a atenção a cada instante nos convoca a decifrar o mistério do mundo como texto sagrado.

À medida que se intensifica a energia coletiva, nesta fase de transição planetária — tanto da Terra (nas suas múltiplas manifestações) como da humanidade —, torna-se crucial a escolha. Nesta Lua somos convidadas [deixem-me lá fazer um plural feminista!] a (re)definir, numa escolha cada vez mais clara, a frequência com que nos alinhamos.

Vamos continuar a vivenciar o drama telenovelesco 3D, no papel de vítimas histriónicas, mão ao peito e olhos revirados ao alto, ou assumir completa e total (sem margem para dúvida, veja-se) responsabilidade pela nossa vida? Vamos continuar a vibrar no medo, na dúvida, no poucochinho, no está-se mal, ou aceitar que todas as opções têm consequências e focar energia em manifestar a nossa realidade?

Ninguém disse que ia ser fácil, e, de qualquer modo, o ser humano progride através dos desafios. Por isso, se o teu caminho está bloqueado, chegou talvez o momento de tentar uma abordagem nova (ouço os Monty Python em pano de fundo, “And now for something completely different!”) — a magia criativa. Como bruxa, posso assegurar que é bem divertido.

#image_dianavalmeida

Magic crystal recharging

(re)Enquadrar

Lua Cheia_20 setembro 2021

Os dias caem à velocidade da vida, trocando-nos as voltas. Caem os amores, caem os impérios, a saúde, a segurança, as balizas, sendo a mudança a única certeza, como cantam desde há muito os poetas. Falham as palavras, nesta sucessão de derrocadas. Somos tentados à desesperança, talvez, ao esquecimento, à apatia, ao cinismo, entre tantos outros caminhos de fuga.

Porém, como recorda a psicóloga Edith Eger, sobrevivente dos campos de concentração nazis, onde aprendeu a inviolabilidade da força interna, cabe-nos perguntar — e agora? Se nos prendermos à razão, entramos na lógica da vítima, que se acha no direito de reclamar com o destino, por não ter preenchido as suas expetativas. Indagar o motivo da injustiça em que nos vemos enredados, na crença de que merecemos sempre mais, ou outra coisa, vai-nos tornar prisioneiros da mente, no seu corrupio infindo.

Para seguir em frente precisamos, antes, de reenquadrar a nossa narrativa, assumindo outra mais ampla visão — podemos mesmo fazer o exercício do zoom out e imaginar como veremos as atuais circunstâncias daqui a 6 meses, 1 ano, 5 anos, 30 anos… Onde estaremos, então, e como nos terá servido a atual experiência de vida? Em vez de te contares um(a) coitadinho(a), escolhe reconhecer e acolher o que sentes, para depois respirar além da dor, aceitando as lições da vida.

As repetições de padrão só mostram que precisas de mudar algo em ti, a começar pelo modo como lês o mundo, escolhendo como agir na dinâmica viva que nos tece a cada instante. Esta Lua intensifica a polaridade entre entrega e controlo, recordando que a liberdade atua no espaço entre confiança e ação, na consciência de que o nosso (pequeno, grande) poder reside no modo como escolhemos enquadrar, reenquadrar criativamente o que nos sucede.

E agora?

Image Diana V. Almeida. Street Art

Escrever o Coração nos Encontros Alternativos de Sintra

O Escrever o Coração regressa em força este outono. Proponho trabalhar 5 temas importantes neste momento de evolução individual e coletiva — Luto (9 out.); Rituais quotidianos (23 out.); Coragem (6 nov.); Confiança (20 nov.) e Alegria (17 dez.) Vem aos EASintra experimentar uma sessão grátis e sentir a dinâmica desta proposta de desenvolvimento humano, que combina meditação/yoga, magia e arte — sábado, 2 de outubro, às 11h. Escreve.te*

Escrever o Coração_Outono 21

Escrita, meditação, magia e desenvolvimento humano

Temas — Luto. Rituais quotidianos. Coragem. Confiança. Alegria

Datas — 9 e 23 outubro, 6 e 20 novembro, 17 dezembro

Horário — 14-18h. Presencial ou online

Valor de troca — 30€ sessão / 10% desconto 5 sessões

Inscrições — dianavcalmeida@gmail.com

Devoção prática

Lua Nova_7 setembro 2021

Chegou o momento de colocar os teus dons ao serviço, na consciência de que o ponto de mudança depende (sempre, vejam-se os exemplos históricos!) de uma minoria. Urge reconhecer e honrar o nosso poder, tornando os traumas — feridas emocionais que nos levam a adotar padrões defensivos — tesouros, património da experiência individuante. Se chegaste até aqui sobreviveste, e esse puro milagre dá-te a força da sabedoria compassiva.

Na verdade, as nossas feridas unem mais do que separam, pois ainda continuamos todos a aprender assim, nesta fase evolutiva da humanidade. O coração precisa de quebrar, mais e mais, para deixarmos cair máscaras, mentira, arrogância e alarde. Assim alcançaremos a nudez da incerteza, olhando o mundo com o interesse curioso da criança, pronta a descobrir novidade a cada instante, além dos pre-conceitos que impedem a revelação.

A intensidade das ruturas que todos agora experimentamos torna-nos mais leves, libertos de mágoa e medo, se escolhermos confiar na bondade maior, na inteligência divina que subjaz à trama da vida. Atravessando a dor, acolhendo de peito aberto o mistério, podemos, pois, ponderar enquadrar cada gesto quotidiano num contexto mais amplo, à luz do Espírito.

O labor interior do crescimento manifesta-se na consciência com que gerimos tanto o nosso corpo, laboratório fisiológico em constante renovação, como a relação com o mundo, feito de plantas, bichos, terra, água, gente… É tempo de cultivarmos um sentido de devoção prática, enraizada nas reais circunstâncias da nossa existência aqui e agora. Respira. Abre um sorriso. Avança.

Image Diana V. Almeida. Street Art. Ponta Delgada, Açores, Aug. 2021.

Famílias do coração

Lua Cheia_22 agosto 2021

Nos últimos anos, o conceito de “comunidade intencional” tem-se vindo a refinar, com cada vez mais grupos de pessoas juntando-se em eco-aldeias, cohousing, ashrams, cooperativas e diversos outros projetos que buscam modos de vida alternativos ao sistema hegemónico. Muitas destas comunidades são verdadeiros tubos de ensaio, tanto a nível político como socioeconómico, explorando modelos de sustentabilidade e autonomia mais ecológicos e humanos.

A maioria talvez ainda não se tenha apercebido de que a atual crise indicia o advento, lento mas certo, de um novo momento histórico. A tão falada Era do Aquário (anunciada pela segunda Lua Cheia neste signo) parte precisamente da tomada de consciência de que as estruturas antigas, de hierarquia rígida e decisão centralizada, têm os dias contados. A perturbação global evidencia-se nas catástrofes ecológicas (previstas pelos ativistas há décadas, mas só agora tomadas um pouco mais a sério, quando as enchentes e os incêndios afetam os países ricos), na depleção dos combustíveis fósseis (base da atual economia) ou nos desastres humanitários, num mundo onde a riqueza está concentrada numa minoria (os tais 1%) e os recursos básicos para uma vida digna continuam inacessíveis a milhares de milhões de pessoas — basta lembrar que morrem de fome ou subnutrição 25 mil pessoas por dia (números das Nações Unidas).

Muita gente está a compreender que o modelo demográfico metropolitano não funciona, esvaziando geografias para concentrar a maioria da população em zonas urbanas, onde as tensões e as desigualdades sociais aumentam. Por isso, assistimos a um retorno à ruralidade, à microeconomia e às redes locais baseadas em modelos organizacionais que propõem a responsabilização individual e oferecem a segurança do coletivo. É tempo de materializar o sonho e construir, passo a passo, comunidades conscientes. A alienação social fomentada pelo individualismo competitivo e pelo fechamento na família nuclear dá agora lugar a espaços mais amplos, em que o fruto do amor tem terra e água para prosperar. Será, pois importante compreenderes onde queres afundar raiz e fazer crescer a tua família do coração.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Madrid.