O deleite da beleza

Lua Cheia_27 fevereiro 2021

Por vezes caminhamos como cegos pelo mundo, alheios à imensa beleza da obra da Deusa, fechados na nossa pequena prisão mental. A dor retira-nos a curiosidade por tudo o que dia-a-dia desabrocha em nosso redor. Esquecemos o espanto ante o movimento que desfralda a eterna novidade da matéria.

Por outro lado, projetamos a confusão interna que nos tolhe no espaço que habitamos, caindo no caos. Agarramos relíquias do passado, sem compreender que jamais teremos ensejo ou paciência para abrir tanto baú. Criamos pois uma malha energética estagnada que nos prende, procurando ocultar a passagem do tempo através deste empenho aquisitivo e/ou cumulativo.

Esta Lua pede depuração e criatividade, contemplação e deslumbramento. Vamos deixar partir o que já não faz parte ativa de nós, para dar espaço ao novo e concentrar força em propósitos maiores. Vamos ver os múltiplos milagres da existência — desde as trocas celulares do nosso corpo, até à dança do cosmos. Respiremos em crescente consciência, honrando os elos com a casa Mãe que nos nutre e pelo espaço nos transporta. Sigamos o deleite da beleza.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa

Novos ângulos

Lua Nova_11 fevereiro 2021

De novo se opõem no céu as velhas estruturas caducas e o misterioso futuro construído a cada instante, por cada um e todos nós. Os sistemas fundadores das nossas vidas estão de momento a sofrer um abalo profundo, desde o governo, até à saúde ou à educação (que o digam os casais com filhos em idade escolar, agarrados ao ecrã dia após dia).

A mudança de paradigma pode ativar em nós duas forças — o instinto de sobrevivência enraizado no medo, pedindo luta e conquista (a visão darwinista que forjou a competitividade como mais-valia); o reconhecimento da nossa comum vulnerabilidade e o ímpeto de tecer redes de apoio (aliás, segundo a mais recente teoria da coevolução, foi cooperando que o ser humano prosperou). A falsa sensação de segurança ancorada na defesa, focada naquilo que nos divide, pode, pois, ser permutada pela força advinda da assunção da fragilidade, face ao destino superior que nos comanda.

Respirando sempre, neste balanço inesperado que nos agita, vamos abraçar novos ângulos, cientes de que chegou o tempo de assumir a liberdade de escolha, entregues em confiança amorosa. Recordemos que “a matéria coalesce em torno da frequência”, ou seja, aquilo em que escolhes colocar atenção ganha corpo e torna-se a tua realidade. Queremos, então, reforçar a couraça, aumentando o peso do nosso desconforto, ou nutrir uma mudança criativa, capaz de sonhar, planear, implementar, ajustar e celebrar (os cinco passos do método Dragon Dreaming!) um mundo novo?

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa.

Explosões internas

Lua Cheia_28 janeiro 2021

Esta Lua traz à tona de modo bombástico as nossas contradições, convidando-nos a examinar zonas obscuras que devemos continuar a trabalhar, feridas que queremos sanar. A tensão é tamanha que abala as nossas mais fortes resistências, reduto de antigas crenças que nos transmitiam uma falsa sensação de segurança, em diversos áreas, desde os relacionamentos até à política, passando pela alimentação e pela saúde.

De facto, a atual conjugação planetária desafia a rigidez e de novo nos convida à atenção plena, ancorada no momento presente, em total entrega ao fluxo da vida. Esta energia expansiva pode, pois, ampliar medos e estratégias de negação (não vai correr bem, escusado será dizer!), ou sustentar o movimento ascensional coletivo para uma mais elevada vibração de consciência.

Podemos persistir na reiteração de crenças externas, baseadas na religião, na ciência ou em quaisquer outros sistemas de pensamento totalitários que se apresentem fechados, com respostas prévias. Ou podemos assumir responsabilidade pelas nossas convicções, reconhecendo que os conceitos pelos quais nos regemos são, afinal, construtos energéticos, com impacto material no mundo. Sim, sabemos ser condicionados, em maior ou menor grau, pelos paradigmas epistemológicos da cultura em que nascemos, mas, crescendo em maturidade, tornamo-nos progressivamente responsáveis pelas ideias que professamos e propagamos.

Vamos continuar a encobrir a nossa dor com esquemas que obedecem a uma lógica cumulativa (mais coisas, mais dinheiro, mais estímulo, mais informação, mais amnésia, mais…), ou optar por ativar os recursos internos que nos ligam à fonte da alegria? Vamos interrogar a programação massiva a que estamos a ser sujeitos, sob o domínio do medo, ou escolher fazer pesquisa? Vamos persistir em eleger a razão como faculdade suprema, ou começar a usar os dados da nossa perceção sensorial, ligando-nos à intuição e aos planos mais subtis da existência? O que vais tu explodir nesta lua?

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa.

Pontapé de saída

Lua Nova_13 janeiro 2021

Esta lunação conjuga a energia de duplos recomeços, tanto deste novo ano (que prossegue em modo de  recolhimento), como do vazio inicial do próprio ciclo cósmico (que pede presença para semear intenções). Os astros acentuam o desajuste dos velhos paradigmas que nos conduzem às cegas, mas oferecem também a possibilidade de mergulho para ver atrás de cena, descobrindo as armadilhas da repetição que nos levam a querer mais do mesmo, sem ousarmos sair do nosso confinamento.

O desafio será, pois, chegar ao fundo do movimento, percebendo aquilo que realmente nos motiva. Avanças a partir de projeções mentais, num cenário competitivo em que atribuís aos outros o poder de te julgarem por sucessos inventados? Ou caminhas partindo do centro do teu desejo, renovado no equilíbrio dinâmico entre silêncio e (rel)ação? A alegria com que danças cada passo é, por certo, um sinal verdadeiro deste alinhamento.

Uma vez traçada a rota, cabe-nos perseverar, em flexibilidade e firmeza, tomando os erros como instrumento de navegação. Encerrados no quadro do perfecionismo e da culpa personalizamos tudo, vendo os erros como sinal de fraqueza. Porém, só errando mais e melhor (como dizia Beckett) podemos aperfeiçoar os nossos dons. Recordemos que o mestre falhou mais vezes do que o discípulo sequer ousou começar. E demos o pontapé de saída livres de suspeita e medos, para seguirmos num cada vez mais amplo raio de ação.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa.

Chegar a casa

Lua Cheia_30 dezembro 2020

Esta lua envolve-nos nas águas maternais, num mergulho que nos dá a ver as feridas por/a curar. Bela oportunidade de sarar fraturas passadas, no limiar de um novo ciclo, que queremos projetar limpo de despojos. Caminhar carregando ressentimentos e rancores amplia o peso de cada passo e ofusca a visão.

O ano que agora termina surpreendeu-nos a todos, por variadas e nem sempre coincidentes razões, e se há lição que aprendemos é a certeza da incerteza. Nesta teimosia cega em que persistimos, queremos crer ser capazes de controlar o fluxo da existência, moldando-o aos nossos desejos. Esquecemos pois o mistério, a vontade maior da inteligência superior que nos rege.

Nada de trágico aqui. Apenas uma chamada de atenção para a relatividade do indivíduo no mundo, com o qual interage em potência criativa absoluta, no limite das circunstâncias por si mesmo escolhidas aquando da encarnação. Digamos que se trata de um jogo para aperfeiçoar as qualidades da alma, no seu seguro regresso à casa maior, corpo de Deus.

Porém, tal como o E.T. apontando as estrelas, dedo cintilante a pedir refúgio, seguimos encandeados pela nostalgia do retorno. Queremos recuperar o Paraíso perdido, a União primordial, na variante moderna da narrativa romântica, com carreira de sucesso, filhos louros e rosados (de preferência um casalinho), mais gadgets de última geração. E nesta ânsia trocamos dentro por fora, o ser por ter e fazer, ignorando que já estamos onde sonhamos chegar. O convite é, pois, respirar — acolher, deixar partir —, reconhecendo que a casa somos Nós, pois dentro de ti, de mim mora Deus, aqui e agora.

Image Diana V. Almeida. Street Art. Lisboa.

O poder da alegria

Lua Nova_14 dezembro 2020

A potência desta lua é ampliada pelo eclipse solar, que dá força ao recomeço aqui delineado. Trata-se de reconhecer que a energia mental por nós projetada cria, de facto, a realidade com que nos confrontamos. Se a nossa grelha de pensamentos e crenças reverberar no medo, vamos efetivamente experienciar a falta de amor.

Conhecemos bem os dias em que saímos de casa imbuídos de espírito positivo, abertos às bênçãos da vida, e tudo flui de modo harmonioso — até os contratempos nos dão ânimo, devido à criatividade gerada para os superar. Em contraste, quando fechamos o coração e nos deixamos consumir pela mágoa e pelo rancor, as horas parecem gerar o caos, bloqueio atrás de bloqueio.

Como podemos, pois, alinhar a nossa bússola interna com o eterno presente, entregues à sabedoria de Deus manifesta na Terra? Como abandonar os desejos violentos que nos consomem, na certeza de que só a confiança na graça divina nos fará prosperar? O primeiro passo será respirar em consciência, reconhecendo que reverberamos no eterno fluxo de expansão e contração, movimento e repouso. Depois cultivar a gratidão, na certeza de que todas as desventuras nos levam a crescer. Enfim, reconhecer e honrar o poder da alegria, a cintilação interna que nos cura da cisão e nos aponta caminho, abrindo portais.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa

Escuta profunda

Lua Cheia_30 novembro 2020

Bem redonda e gorda, esta Lua, cuja energia é acentuada por um eclipse, marcando o final de um ciclo e o paradigma energético para o próximo semestre. Somos agora convidados a apurar comunicação, o que pressupõe silenciar a mente, para escutar tanto a nossa verdade interna, como as mensagens que nos chegam do mundo.

De facto, o silêncio é a condição primeira para a reverberação de qualquer mensagem, e só assumindo essa postura de humildade atenta conseguiremos alcançar a surpresa da revelação. O entendimento parte, pois, de uma atitude de recetividade suspensa, além dos pressupostos que costumamos lançar para a mesa de diálogo, seja ele interno ou externo. A velocidade da mente, construindo fabulosas narrativas sobre possibilidade e fracasso, obnubila esse espaço de neutralidade, impedindo o acesso ao movimento que sempre nos chega ao abrir o coração.

Contemplemos, então, a hipótese de construir condições para uma escuta profunda, transcendendo a dualidade que nos leva a julgamentos fáceis e nos afasta do reconhecimento das circunstâncias do momento presente, enleados na projeção de medos e expetativas. Só assim a verdade pode começar a emergir, no espaço sagrado do nosso templo interno e na Terra, casa viva da humanidade em evolução.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa.

Manifestar milagres

Lua Nova_15 novembro 2020

A Lua Nova deixa ver o céu estrelado e recorda que somos pó de estrelas, uma alma em movimento pelas galáxias, encarnada agora num corpo para uma experiência de aprendizagem na nave Mãe Terra. As atuais conjugações astrológicas — algumas das quais culminarão a 21 de dezembro, no solstício de inverno, marcando a entrada oficial na Era de Aquário — propiciam o alinhamento com o nosso propósito sagrado, na certeza de que o nosso bem maior serve a elevação da consciência de toda a humanidade.

Vai-se clarificando o serviço sagrado que cada um de nós aqui vem realizar, a dádiva da nossa absoluta singularidade, na certeza de que quanto maior a oferta, mais iremos receber. E o que é a abundância senão a entrega apaixonada ao chamamento do Espírito, em alegria e fé? Reconhecendo a energia do medo que nos circunda rumorosa, podemos escolher transmutá-la a nosso favor, como fazem os marinheiros navegando à bolina.

A fluidez dos elementos — esta Lua mergulha nas águas internas e recorda que a vida é um processo em movimento, mais do que uma série de objetivos a cumprir — permite-nos mudanças extraordinariamente rápidas. E o mundo precisa da nossa assertividade confiante, ancorada na observação atenta e na intuição refinada. É tempo de (re)ver o mapa, definir rota, escolher companhia e manifestar milagres.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa.

Fazer perguntas

Lua Cheia_31 outubro 2020

A segunda lua cheia do mês retoma os tópicos que têm vindo a ser alumiados ao longo dos últimos tempos, na dança dos astros que prepara a entrada oficial na Era de Aquário. Esta nova idade da Terra integra a singularidade individual num tecido comunitário que reconhece e celebra as diferenças (vs. valoração de padrões uniformes incitados por modelos competitivos). Agora, o saber advém de uma construção pessoal, a partir do trabalho interno face à pluralidade de dados e à multiplicidade de estímulos que recebemos (vs. imposição de uma verdade institucional ao serviço de hierarquias de poder).

A ênfase recai, pois, na responsabilidade de cada um traçar o caminho a percorrer, num momento em que se torna vital honrar a intuição para navegar num mundo onde a densidade se manifesta através do medo e da manipulação coletiva. Para fortalecer as nossas fundações e escolhermos rota é fundamental conseguirmos estabelecer limites e usarmos o discernimento para decidir quando dizer “não”. Daí a importância de colocarmos em questão as coisas que habitualmente tomamos por garantidas, incluindo os mecanismos de ação e de pensamento quotidianos. É tempo de fazer perguntas e flexibilizar respostas, escutando mais fundo a voz da consciência.

Neste momento temos ao nosso dispor uma energia de abundância — tanto a nível material e espiritual, como das potencialidades criativas e da integração / cura emocional. Para nos sintonizarmos com esta oferta, tenhamos coragem de abandonar velhos padrões, de deixar ir os apegos, criando espaço para o novo crescer.

Image Diana V. Almeida. Blue Moon. Street Art, Lisboa.

Equilibrar polaridades

Lua Nova_16 outubro 2020

A atual intensidade energética é por demais evidente, seja pelo crescente medo de contágio que acentua a separação dos corpos, seja pelo facto de as sombras internas aparecerem ampliadas face ao caos exterior. A tendência, nestes momentos, é o apego a velhos modos de pensar e agir, que nos escudam na falsa segurança, e nos impedem de apreender a panóplia de possibilidades que se abrem em nosso redor. Do passado, podemos recolher referências, mas só do instante presente surge inspiração para experimentarmos algo (radicalmente) novo.

As polaridades estão em reequilíbrio agora, em particular a energia feminina e masculina, para que possamos redescobrir e honrar as qualidades sagradas de cada uma destas fontes. De modos imprevisíveis (animação não falta!), seremos confrontados com os velhos estereótipos, purgando excessos e aprendendo a realizar o casamento místico do sagrado feminino e masculino. É uma espécie de convite ao tantra existencial, pois.

Face à velocidade da mudança com que somos confrontados, é fulcral ancorar energia com disciplina e discernimento, cuidando de ti e dos outros, e escolhendo bem que tipo de vibrações queres deixar reverberar no teu campo energético. Enraíza na força da alegria e sustenta o teu sentimento de pertença a uma comunidade de afetos, reconhecendo e celebrando todos os que têm nutrido a tua experiência nesta vida.

Tomando em conta a importância de evitar excessos, perseverar na paciência  e mergulhar no espaço interno, somos também convidados a brilhar, alumiando o caminho para a mudança coletiva em curso. Ergue-te em júbilo e coragem, irradiando por toda a parte Amor.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa.