Escrever o Coração_Outono 21

Escrita, meditação, magia e desenvolvimento humano

Temas — Luto. Rituais quotidianos. Coragem. Confiança. Alegria

Datas — 9 e 23 outubro, 6 e 20 novembro, 4 dezembro

Horário — 14-16h

Valor de troca — 30€ sessão / 10% desconto 5 sessões

Inscrições — dianavcalmeida@gmail.com

Devoção prática

Lua Nova_7 setembro 2021

Chegou o momento de colocar os teus dons ao serviço, na consciência de que o ponto de mudança depende (sempre, vejam-se os exemplos históricos!) de uma minoria. Urge reconhecer e honrar o nosso poder, tornando os traumas — feridas emocionais que nos levam a adotar padrões defensivos — tesouros, património da experiência individuante. Se chegaste até aqui sobreviveste, e esse puro milagre dá-te a força da sabedoria compassiva.

Na verdade, as nossas feridas unem mais do que separam, pois ainda continuamos todos a aprender assim, nesta fase evolutiva da humanidade. O coração precisa de quebrar, mais e mais, para deixarmos cair máscaras, mentira, arrogância e alarde. Assim alcançaremos a nudez da incerteza, olhando o mundo com o interesse curioso da criança, pronta a descobrir novidade a cada instante, além dos pre-conceitos que impedem a revelação.

A intensidade das ruturas que todos agora experimentamos torna-nos mais leves, libertos de mágoa e medo, se escolhermos confiar na bondade maior, na inteligência divina que subjaz à trama da vida. Atravessando a dor, acolhendo de peito aberto o mistério, podemos, pois, ponderar enquadrar cada gesto quotidiano num contexto mais amplo, à luz do Espírito.

O labor interior do crescimento manifesta-se na consciência com que gerimos tanto o nosso corpo, laboratório fisiológico em constante renovação, como a relação com o mundo, feito de plantas, bichos, terra, água, gente… É tempo de cultivarmos um sentido de devoção prática, enraizada nas reais circunstâncias da nossa existência aqui e agora. Respira. Abre um sorriso. Avança.

Image Diana V. Almeida. Street Art. Ponta Delgada, Açores, Aug. 2021.

Famílias do coração

Lua Cheia_22 agosto 2021

Nos últimos anos, o conceito de “comunidade intencional” tem-se vindo a refinar, com cada vez mais grupos de pessoas juntando-se em eco-aldeias, cohousing, ashrams, cooperativas e diversos outros projetos que buscam modos de vida alternativos ao sistema hegemónico. Muitas destas comunidades são verdadeiros tubos de ensaio, tanto a nível político como socioeconómico, explorando modelos de sustentabilidade e autonomia mais ecológicos e humanos.

A maioria talvez ainda não se tenha apercebido de que a atual crise indicia o advento, lento mas certo, de um novo momento histórico. A tão falada Era do Aquário (anunciada pela segunda Lua Cheia neste signo) parte precisamente da tomada de consciência de que as estruturas antigas, de hierarquia rígida e decisão centralizada, têm os dias contados. A perturbação global evidencia-se nas catástrofes ecológicas (previstas pelos ativistas há décadas, mas só agora tomadas um pouco mais a sério, quando as enchentes e os incêndios afetam os países ricos), na depleção dos combustíveis fósseis (base da atual economia) ou nos desastres humanitários, num mundo onde a riqueza está concentrada numa minoria (os tais 1%) e os recursos básicos para uma vida digna continuam inacessíveis a milhares de milhões de pessoas — basta lembrar que morrem de fome ou subnutrição 25 mil pessoas por dia (números das Nações Unidas).

Muita gente está a compreender que o modelo demográfico metropolitano não funciona, esvaziando geografias para concentrar a maioria da população em zonas urbanas, onde as tensões e as desigualdades sociais aumentam. Por isso, assistimos a um retorno à ruralidade, à microeconomia e às redes locais baseadas em modelos organizacionais que propõem a responsabilização individual e oferecem a segurança do coletivo. É tempo de materializar o sonho e construir, passo a passo, comunidades conscientes. A alienação social fomentada pelo individualismo competitivo e pelo fechamento na família nuclear dá agora lugar a espaços mais amplos, em que o fruto do amor tem terra e água para prosperar. Será, pois importante compreenderes onde queres afundar raiz e fazer crescer a tua família do coração.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Madrid.

Recriar a cada instante

Lua Nova_8 agosto 2021

Em 1929, oito anos depois de receber o Prémio Nobel da Física, Albert Einstein concede uma das suas raras entrevistas a George Sylvester Viereck, em que destaca a importância da intuição e faz uma declaração extraordinária sobre o valor relativo da criatividade e do saber — “A imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação envolve o mundo”. Durante anos tive uma caneca com parte desta citação (adaptada para “Imagination is greater than knowledge”) em que se via um acrobata desenhando no ar o fio pelo qual ia avançando, num equilíbrio dançante. Tomava o meu chá com um sorriso cúmplice sonhando Einstein, pois o saber, enquanto mero repositório de informação, nunca me disse grande coisa (aliás, na escola primária recusei-me a decorar a tabuada precisamente por me parecer absurdo fixar tabelas de números que se poderiam consultar quando fosse preciso).

Quando nos encontramos fechados nos paradigmas da certeza passada, repetindo passo a passo aquilo que já sabemos, não podemos avançar. Contamos a nós mesmos a história de traumas passados, projetando mais do mesmo, sem ousar tentar diferente. Cerramos linhas de ação, impomos limites, crendo assim circunscrever liberdade à segurança. Porém, no mais fundo abismo interno, o espírito rebela-se, faz-nos tristes e doentes, sedentários por defeito. Há sempre um comprimido para tudo, claro está. E vamos envelhecendo entre as paredes da mente.

Imaginar, por contraste, abre espaço de ação, e constitui um poder. A liberdade nasce e medra nessa mesma amplitude, gerando elos, possibilidades. Se importa descer às profundezas internas, é vital voar sobre precipícios, alcançar a outra margem do sonho. Assim existimos na nossa singularidade luminosa, honrando a linhagem dos antepassados, abrindo caminho a todos que seguem, no trabalho divino de união e cura. Esta Lua acende o fogo da imaginação, que nos permite recriar a cada instante as circunstâncias do nosso movimento no mundo. O futuro é uma escolha agora.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Barcelona.

Intensa idade

Lua Cheia_24 julho 2021

 A intensidade desta lua fez-me focar em mil tarefas suspensas, adiadas lista a lista, fez-me ficar noite fora sem dormir, a fazer, a criar. Consegui chamar misteriosas energias para correr pelos dias materializando, à medida que ideias e desafios teciam seus labirintos. E dei graças pelos instrumentos de navegação que me permitem avaliar rota na velocidade, sabendo seguir a intuição e escutar o silêncio interno, mesmo rodeada de ruído.

Do mesmo modo, lá fora, o mundo maior que vamos construindo (destruindo, depende da perspetiva) acelera. Esta história da pandemia como ameaça de morte obriga o ocidente a confrontar-se com o seu maior tabu e traz à tona todos os terrores. Mas eis que surge a miraculosa solução científica (estou ciente do paradoxo!) que para sempre erradicaria a sombra, embora a batalha prossiga como contam os números, mandando reforçar medidas, pois…

Este pendor resolutivo faz-nos reféns do discurso oficial. Não temos paciência nem humildade para encontrar soluções além daquelas que nos são propostas pela grande máquina capitalista, a tilintar por cada máscara vendida. Não temos imaginação, nem tempo (reduzido ao lucro, aliás) para pesquisar outras versões da realidade, e vamos ficando apegados à nossa verdade contra todos aqueles que a ameaçam. Apavora-nos a visão caleidoscópica, e queremos por força circunscrever as coisas à nossa verdade.

Ocorrem-me as palavras de Tulku Lobsang Rinpoche sobre impermanência e ilusão no mundo do carma, onde “a verdade é inimiga do amor”, pois tendemos a impor a nossa certeza como absoluta, excluindo qualquer outra hipótese. Só que agora, apesar da censura e da crescente  tentativa de controlo da esfera privada através da tecnologia, a rede multiplica meandros de informação. E dá acesso a uma miríade de opiniões que explodem o mito da verdade única.

Assim, nesta intensa idade que criamos juntos, coletivo apavorado, abrem-se, ou revelam-se, melhor dizendo, múltiplas dimensões experienciais. As diferentes frequências vibracionais que escolhemos geram universos distintos, que coexistem numa dinâmica intrincada. A Nova Terra desponta do caos, com uma rapidez rara.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa.

O compasso do amor

Lua Nova_10 julho 2021

Encarnamos para experienciar a nossa identidade em relação — nenhum de nós é uma ilha, antes parte de mais vasto continente, parafraseando John Donne. Vamos estabelecendo os contornos de quem somos no encontro, e para isso praticamos dois movimentos contrários, mas, paradoxalmente complementares. Por um lado, precisamos de estabelecer limites, dando ao outro indicação das nossas fronteiras, o que implica a renovada consciência do nosso território interno. Por outro lado, só baixando defesas conseguimos ser habitados e, em simultâneo, habitar o coração de quem amamos.

Trata-se de uma dinâmica bem desafiante, como sabemos, em especial numa cultura que promove a distração — seja através do consumo de substâncias que alteram a nossa química interna (como o açúcar refinado, o café, o tabaco ou as chamadas drogas, conceito, na verdade bem mais abrangente), ou através de comportamentos aditivos (como a aquisição compulsiva, o trabalho excessivo, os labirintos das redes sociais, as infindáveis temporadas das séries da Netflix e por aí fora). Assim, o natural ruído da mente é ampliado ad infinitum, numa espiral que mais e mais nos afasta do silêncio interno capaz de acolher a intuição.

É interessante observar como vamos repetindo padrões de fuga à intimidade, num eco de traumas oriundos da infância ou mesmo de outras vidas — nossas, da linhagem em que encarnamos, da cultura onde vivemos… Tamanha é a complexidade desta teia que se torna ainda mais crucial cultivar a atenção para, conscientes embora da imensidão do mistério, podermos agir em liberdade, adequando as nossas escolhas ao fluxo do instante, em tempos cada vez mais acelerados (sou só eu que me espanto por já estar na segunda metade de 2021, com dias em que a lista das tarefas fica sempre a meio?).

Esta Lua levou-me a observar com curiosidade as oscilações do meu compasso interior, que se contrai num desejo fusional com o outro ou se abre até aos limites da exclusão, na velha dança entre codependência e isolamento. Olhando com compaixão a dor do desejo, permito-me criar novos passos, assumindo responsabilidade pelos meus sentimentos e comunicando-os aos outros, de modo a tecermos juntos uma teia de interdependência, em que todos e cada um possamos conhecer e dar a conhecer o nosso espaço.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa.

A dança das polaridades

Lua Cheia_24 junho 2021

Esta Lua mexeu tanto comigo que só consigo escrever sobre ela agora (dois dias depois, ainda sob o seu efeito alargado, claro). A tensão entre polaridade feminina e masculina evidenciou-se trazendo à tona manias familiares de controlo afetivo, o temor mascarado de afeto. Interessante ver como ao longo dos anos vamos sendo confrontados com fantasmas da infância, quando ressurgem inesperados modos de amar que nos moldaram. Reconhecemos de súbito estratégias relacionais que (já) não nos pertencem e damos por nós repetindo tiques maternais, inflexões de voz paternas, como se não tivessem decorrido décadas desde estas cenas primeiras, como se o maior tempo da nossa vida (feitas as contas!) se esfumasse diante desta teimosa iteração.

Encarnamos para poder experienciar o movimento entre polos que constitui o campo potencial do exercício de liberdade. E, claro está, esta coreografia começa sempre no nosso vasto espaço interior, no infinito que em nós habita e que vamos colonizando com manias e padrões. Ora, os astros brincam agora com tais extremos, juntando os opostos numa tensão curiosa, que nos dá a ver modos de agir subtis, por os termos reiterado vez após vez tornando-os norma(l).

Quando se rasga o tecido invisível que segura as nossas ações quotidianas, somos confrontados com uma interrogação, um vazio, que se manifesta como real possibilidade de escolha. Tal só é, de facto, possível se aceitarmos o repto de viver em permanente (rev)evolução, resgatando a consciência a cada instante, entregues ao presente. Será importante, fundamental, creio, reconhecer e honrar o empenho da nossa família — a mãe e o pai que nos deram corpo, veículo para aqui estarmos apurando ação; a mãe e o pai que, apesar de todos os traumas de que os poderíamos acusar (à la Freud!), fizeram o seu melhor. Muitos de nós, trocadas agora as posições, com filhos a cargo, reconhecemos mais amorosamente tais dádivas, bem sei.

Seremos, pois, capazes de dançar, graciosa e criativamente, entre polaridades? Capazes de reconhecer a impossibilidade de fluxo sem estrutura, entrega sem saber, confiança sem dádiva? É nesta dinâmica que se tece a liberdade, enquanto exercício de escolha consciente, ancorada na fortaleza interna que importa construir, ir construindo. Um trabalho de vidas.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa.

O não do sim

Lua Nova_10 junho 2021

Nos ensinamentos do Kundalini Yoga, identificam-se dez Corpos Espirituais (incluindo aquilo a que vulgarmente chamamos corpo, na dimensão física da matéria), entre eles a Mente Negativa. Ao contrário do que o nosso anseio de categorização, muitas vezes com pendor moralista, nos poderia levar a crer, a Mente Negativa não é má, nem deve ser ignorada, pois permite-nos dizer “não”, criando limites e abrindo, assim, novas possibilidades.

Nesta lunação, a energia encontra-se de novo ampliada por um eclipse, conhecido como anular, porque a lua negra ficará no centro do sol envolvida por um halo luminoso, na perfeita união dos princípios feminino e masculino. Tendo em conta que os eclipses são portais sagrados, que projetam as nossas escolhas no tempo, mais importante será criar um hiato na rotina para avaliar caminho e definir direções.

Sugiro, pois, usarmos o poder do “não” para deixar cair tudo aquilo que deixou de servir o nosso propósito, nestes tempos de mudança profunda, em que a máxima “o que resiste persiste” é mais válida do que nunca. Estaremos ainda em luta contra alguém ou contra os princípios por si representados? A um nível profundo, a revolta presta homenagem à potência que pretendemos deixar para trás, em tradução livre de Eudora Welty, sábia ficcionista. O desafio será usar o “não” em magnitude, recusando servir — ainda que indiretamente, por referência — princípios que nos derribam.

Como ritual de Lua Nova, poderás escrever uma lista de “nãos”, comprometendo-te a deixar cair os hábitos que pesam na tua vida. Usa o Corpo Físico como barómetro e, em silêncio, sente a vibração energética da tua escolha — qualquer contração é sinal de tensão e agora queremos, cada vez mais, fluir em alegria e leveza. De seguida, encontra o teu contraponto afirmativo e lista aquilo a que, em consciência, queres dar tempo e energia — afixa esse papel num lugar bem visível, para ancorar a força. Possa o teu “não” ser um “sim”.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa.

A árvore dos desejos

Lua Cheia_26 maio 2021

Num dos seus oráculos (Tarot de transformação), Osho refere a kalpatarus, uma árvore celestial da mitologia hindu capaz de materializar instantaneamente os pensamentos de quem dela se aproximasse. Ora certo dia, um homem incauto senta-se à sua beira e começa a magicar — da sua fome nasce comida, da sede, bebida; mas o temor de ver assim realizados os seus desejos leva-o a laborar no medo, acabando por lhe causar a morte. Esta árvore ilustra o poder criativo da mente e o seu impacto energético no campo experiencial, seja de modo imediato ou numa temporalidade mais lata que, segundo Osho, poderá mesmo alcançar outras (re)encarnações.

Se somos árvores e da cabeça nos crescem múltiplos ramos de pensamentos, recordemos ainda que habitamos uma floresta. A biologia diz-nos que, num ecossistema, as árvores comunicam entre si, sobretudo através de uma teia radicular que transmite mensagens em tempo real. De igual modo, vibramos num campo eletromagnético construído pela mente coletiva, em grande parte moldada pelos meios de comunicação e pelas redes sociais, mas também determinada pelo espírito do tempo (o Zeitgeist ) em que seguimos vivendo.

Esta Lua convida-nos a interrogar e a reestruturar as nossas crenças, de modo a podermos seguir mais livres. Reconhecendo o efetivo poder das ideias, importa ficar atento às maquinações da mente, assumindo o lugar do observador. A meditação — qualquer que seja a tua estratégia para alcançares o estado de plena presença — é o instrumento que permite chegar a este plano de consciência de maior neutralidade e, logo, de mais ampla liberdade. Vamos juntos criar espaço para as infinitas possibilidades de/do Ser.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa.

Mais amor

Lua Nova_11 maio 2021

É curioso ver como as escrituras sagradas de diversas culturas relembram verdades basilares da nossa experiência humana. Somos veículos divinos, em comunicação contínua com tudo o que nos rodeia, desde o mais ínfimo até ao mais amplo nível, que inclui o movimento dos planetas e das estrelas circulando pelo cosmos. Na verdade, nada está separado, como a Física de Partículas demonstrou, e o próprio processo de observação altera o comportamento daquilo que é observado.

Num período de mudança acelerada, em que assistimos à crescente tensão entre as instituições consolidadas, com o seu modus operandi rotineiro, e os novos modelos de organização político-social e económica emergentes, será importante rever as bases (“back to basics”). Em particular (Lua em Touro, signo Terra), importa averiguar como anda a nossa relação com o(s) corpo(s), reconhecendo estarmos integrados numa totalidade viva.

Andar de pés nus no chão (em casa, para começar, e depois lá fora, que o tempo já chama belas caminhadas) e sentir as raízes que nos ligam à nave Mãe. Meditar em gratidão sobre a história da laranja que nos chega à boca, reconhecendo que ela contém sol, água, solo, flor balouçando ao vento, horas de paciente maturação e as mãos de todos aqueles que até nós a trouxeram, como sugere o querido mestre Thích Nhất Hạnh. Abençoar todos os seres que connosco convivem, abrindo o coração à sua Luz.

O Amor começa sempre em ti — o mandamento “Ama o próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:39) pressupõe precisamente isso. Como te amas nestes dias turbulentos? Como te podes amar mais, amar melhor? Faz crescer o Amor, irradiando do centro, unido(s) na vibração amorosa que tudo permeia e sustenta.

Image Diana V. Almeida. Street Art, Lisboa.