Lua Nova, 1 fevereiro 2022

Celebra-se hoje o Imbolc, festa pagã de raiz celta que assinala meio caminho entre o solstício de inverno e o equinócio de primavera, recordando a ciclicidade da vida e o movimento natural das estações. Estamos agora entre a maior noite do ano — em que a escuridão atinge o auge, prestes a ceder, porém, ao tempo da luz —, e uma das duas datas mágicas em que dia e noite se equivalem. São já visíveis os sinais da primavera e a promessa de renovação.

Também a nível astrológico vivemos continuada tensão entre extremos — com a ordem e o rigor de Saturno, senhor do Tempo, desafiada pelo ímpeto de liberdade de Urano. Estes dois planetas têm vindo a marcar os céus e a vivência política no mapa mundial, em que a tentativa de reforço das estruturas de poder vigentes está a sofrer cada vez mais contestação, fazendo emergir soluções alternativas com base na organização comunitária, nas suas múltiplas vertentes.

Num momento em que a realidade se revela cada vez mais fluida, ganhamos perceção de que somos mais onda do que partícula, como dizia o Senhor Buda há séculos, nos visionamentos meditativos que vieram recentemente a ser confirmados pela Física Quântica. Assim, o provérbio “No meio é que está a virtude” torna-se dinâmico, recordando que antes (e depois, por sinal!) de chegarmos ao centro oscilamos entre extremos. A vida está povoada de doces e duros desafios, que nos levam do riso às lágrimas, e mesmo quando conseguimos construir algum equilíbrio interior somos, mais cedo do que tarde, confrontados com a inevitável emergência do sofrimento (a primeira das Quatro Nobres Verdades) e convidados a reatar o trabalho de crescimento pessoal.

Seja, pois, a nossa dança graciosa para, provando o melhor das duas metades, podermos permanecer cada vez mais na neutralidade do centro.

Image Diana V. Almeida. Street Art
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