O Amor que nos habita

Lua Nova, 19 abril 2023

O paradigma competitivo em que nos movemos alimenta frustração e inveja, pois parte do princípio de que o valor individual depende de uma comparação hierarquizante com os outros. Tal instiga o censor interno, que nos condena a cada passo pelas vitórias alheias, alardeadas, de modo mais ou menos fictício, nas histórias que circulam pelas redes sociais. O vício do confronto prende-nos num eterno scroll down, que exponencia o nosso desconsolo face às maravilhas da vida alheia, tomadas como prova plena da nossa falência pessoal.

É, sem dúvida, desafiante entender que cada um cria a sua própria medida, quando desde a infância somos incentivados a emular modelos exteriores, e recompensados ou punidos consoante a nossa capacidade de aproximação dessas representações idealizadas. À medida que crescemos, a distância de nós mesmos faz com que continuemos a procurar avidamente alguém que nos mostre como ser: adotamos os meneios da estrela de cinema; as ideias do apresentador do telejornal; as vestimentas da vitrina do centro comercial; o cardápio do folheto do supermercado; as inflexões de voz do chefe, no escritório onde trabalhamos. Esquecemos o caminho para nós.

Sublinhe-se que não me refiro aqui ao conceito algo ingénuo do “verdadeiro eu”, supostamente escondido algures na escuridão interna. A identidade é um processo dinâmico, reconfigurado diariamente pelas escolhas que fazemos e pelas relações que escolhemos manter. A subjetividade constrói-se sempre nos interstícios da relação com o outro.

Admitamos, porém, que cada ser humano é absolutamente singular. Tal começa pelo corpo, construído por genomas comuns a toda a espécie, mas forjado no cruzamento único de dois corpos anteriores que, de modo misterioso, creio, escolhemos como veículo para encarnar. Sim, quando chegamos à vida, marcados pela nossa distinta bagagem kármica, partilhamos idênticas circunstâncias culturais e históricas com centenas, com biliões de seres, porém, em última instância, cada um as irá receber a seu modo. 

Ou seja, a nossa teimosa, tola tentativa de nos tornarmos algo diferente de nós mesmos, a recusa em observar, com paciência e humildade, o nosso Ser, está condenada ao fracasso. O encontro connosco mesmos é inevitável, por ser o propósito último da encarnação, pelo que voltaremos vez após vez, aprofundando essa intimidade, até à fusão completa com o Amor que nos habita. O melhor será, pois, abraçar desde já essa demanda.

#image_dianavalmeida

sobre o meu trabalho

O meu serviço centra-se em três áreas — Energia, Criatividade e Visão. 

Ofereço uma terapia holística, combinando energia, taças tibetanas, cristais, sinergias de óleos essenciais personalizadas e (se a tua pele quiser ser tocada) massagem intuitiva — Afinar o Coração. 

Proponho workshops de desenvolvimento humano, unindo escrita e meditação, ou mentorias criativas individuais para desenvolveres um projeto de escrita ou trabalhares um tópico específico — Escrever o Coração. Neste âmbito, co-organizo também, com a Maria João Ferraz, caminhadas meditativas em silêncio na Serra de Sintra — Caminhar no Coração (a retomar em junho, devido a um acidente sofrido pela nossa guia).

Realizo rituais fotográficos que honram a beleza singular de cada Ser — Retrato Sagrado e Corpo Vivo: Deusa Grávida.

Dou também aulas de Kundalini Yoga, terça, das 18h30 às 19h30, na Casa Pavan, em Fontanelas (Sintra)!

Queres saber mais, ou marcar uma sessão? Entra em contacto comigo.

Bem-hajas!

Partilha:
Scroll to Top