No verão aumentam os estados depressivos, por mais estranho que pareça, com tanto sol e estrada aberta.

Parece que está toda a gente no Algarve, chupando a cereja do cocktail, à beira da piscina, nas melhores companhias. As redes sociais enchem-se de sorrisos, rasgando o bronzeado perfeito. Os relacionamentos nunca estiveram melhor, sem sombra de crise ou mágoa, os amantes proliferam, os amigos são de sempre. Os festivais são o máximo, os concertos sem reverb, as cervejas super frescas.

E nós, abanando o jornal da semana passada para enganar o calor, afundados no sofá coçado, perdemo-nos no perverso exercício da comparação. Espelho meu, espelho meu, haverá alguém mais infeliz do que eu? A resposta é clara e taxativa — jamais em tempo algum houve tal sofrimento, ‘tadinho de mim! Colocando-nos fora da história, entramos em loop, caindo em queda-livre, comprazidos na vitimização.

Mais complexo será assumir uma atitude, convocar responsabilidade. Deixo aqui algumas perguntas, à guisa de provocação. Consegues reconhecer e agradecer as bênçãos na tua vida, independentemente do futuro idealizado? Estás pronto a devotar tempo de qualidade a ti mesmo, encantado com a tua própria companhia? Porque não aproveitar a pausa para realmente descansar (sem remorso ou culpa)? E que tal atacar as tarefas pendentes na tua to do list? Haverá alguém cuja ausência lamentes (terminando o telefonema anual com a frase “temos de nos ver!”) e que queiras agora contactar? Será este o momento para experimentares algo que sonhas fazer há décadas (pintar um quadro, apanhar uma onda, descobrir um trilho nos arredores, visitar um museu distante)?

Como podemos nós moldar a vida a cada instante, a cada respiração?

Image Diana V. Almeida
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